Participar deste debate é falar sobre o futuro da indústria brasileira, mas também sobre o futuro dos trabalhadores.
O Requerimento nº 21/2026 chama atenção para o crescimento das importações de aço, especialmente de origem chinesa, e para os impactos sobre a siderurgia e setores estratégicos da economia brasileira.
E precisamos olhar para uma consequência direta: o emprego.
Segundo dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil, o avanço das importações em 2025 esteve associado ao fechamento de aproximadamente 5 mil postos de trabalho no setor siderúrgico, além de impactos estimados em cerca de R$ 2,5 bilhões em investimentos.
Isso não é apenas uma estatística.
São trabalhadores, famílias e profissionais qualificados que podem perder seus empregos e, junto com eles, o Brasil perde conhecimento, experiência e capacidade produtiva.
E quando uma siderúrgica reduz sua produção, o impacto não fica dentro dos muros da fábrica. Ele chega à manutenção, à engenharia, à automação, à elétrica, à mecânica, ao transporte, aos fornecedores e a toda uma cadeia produtiva.
É nesse ponto que quero destacar os Técnicos Industriais.
O Técnico Industrial está presente na operação, manutenção, produção, energia, automação e infraestrutura. É um profissional fundamental para que a indústria funcione com segurança, produtividade e qualidade.
Não existe indústria moderna sem trabalhadores tecnicamente qualificados.
Por isso, defender a indústria nacional também significa defender o trabalhador brasileiro.
Precisamos de uma política industrial que estimule investimentos, fortaleça a produção nacional e garanta uma concorrência justa com os produtos importados.
Não estamos defendendo o fechamento do Brasil para o mundo. Estamos defendendo condições equilibradas de competição.
Porque, se uma indústria brasileira fecha, não perdemos somente uma empresa. Perdemos empregos, tecnologia, conhecimento e capacidade de produzir.
E soberania industrial não significa apenas produzir aço.
Significa ter capacidade de transformar esse aço em máquinas, equipamentos, infraestrutura, energia e tecnologia — com profissionais brasileiros qualificados.
Por isso, faço um chamado a esta Comissão, ao Governo, ao setor produtivo e às entidades dos trabalhadores:
Precisamos construir uma política industrial que proteja a produção, incentive investimentos e valorize quem trabalha e produz no Brasil.
Defender a indústria brasileira é defender o emprego brasileiro.
Defender o emprego brasileiro é valorizar o trabalhador.
E valorizar o trabalhador é também reconhecer e fortalecer o Técnico Industrial.
O SINTEC-DF está à disposição para contribuir com esse debate e defender uma indústria nacional forte, tecnológica, competitiva e, principalmente, capaz de gerar empregos de qualidade.
Porque uma indústria forte precisa de trabalhadores valorizados. E um Brasil soberano precisa produzir, desenvolver tecnologia e valorizar o conhecimento técnico brasileiro.
Muito obrigado.
Waltomir Alves
Presidente do SINTEC-DF
Técnico Industrial em Eletrotécnica







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